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Posts Tagged ‘quentin tarantino’

Lembram daquelas séries de televisão com muita testosterona e pouca história? Lembram que mesmo com aquele pouco de história sabíamos da vida dos personagens, suas motivações e porque eles estavam naquela vida de foras da lei, ou seja, um certo nível de identificação? Pois é, Os Mercenários (The Expendables, 2010), promessa do Sylvester Stallone de dar um novo sopro de vida a esse tipo de filme morre na tentativa.

Barney Ross (Sylvester Stallone), Lee Christmas (Jason Statham), Ying Yang (Jet Li), Gunner Jensen (Dolph Lundgren), Hale Caesar (Terry Crews) e Toll Road (Randy Couture) são os Mercenários, um grupo de renegados que faz o serviço sujo para a quem pagar mais. Seu contato é Tool, Mickey Rourke em mais um personagem que só ele poderia fazer. O que deveria ser um filme com o melhor do antigo Esquadrão Classe A (The A-Team, 1983-87) na verdade se torna uma reunião de amigos nostálgicos. A história é o que se espera, garota-gata-de-uma-ilha-espanhola-pobre (Giselle Itié com um bom inglês) faz contato com os Mercenários pedindo socorro. Barney Ross ao conhecê-la aceita ajudar. Explosões, traições, socos, chutes, tiros e mais explosões depois, o fim. Sério, de história é isso aí. Há até a tentativa de deixar a história um pouco mais profunda com tramas de amor, não deixar de ajudar quando se pode fazê-lo para não se perder aquilo que te torna humano, mas é bem superficial, o que se espera desse tipo de filme. O ponto negativo é o modo como é apresentado: forçado e sem propósito até para esse tipo de filme. As cenas de luta são tão frenéticas que você até perde a pessoa para a qual estava torcendo. Fora a quantidade de sangue utilizada nesse filme, Tarantino deve ter gostado. O que falha em Os Mercenários é o exagero. Tudo é tão grande e rápido que não se cria identificação nem simpatia pelo sofrimento da filha do governador.

Lutas rápidas e sangrentas, frases de efeito dignas dos anos 80, Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger naquela reunião de amigos, sangue, suor e lágrimas de Giselle Itié. Isso é Os Mercenários. Apesar disso tudo Jason Statham e Sylvester Stallone estão ótimos como eles mesmos.

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Inglourious Basterds

Quentin Tarantino (ainda) não me decepciona. Suas referências a filmes antigos, trilha sonora escolhida a dedo com sequências planejadas especialmente para elas, pequenos detalhes em cenas, resgate de atores, diálogos sobre o nada que revelam tudo. Enfim, Tarantino é o nerd cinéfilo que se tornou o jovem cineasta que eu queria ser, mesmo eu nunca tendo pensado em seguir tal carreira.

No primeiro filme de época de Tarantino, Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds) deixa claro desde o primeiro frame com uma tipografia que destoa da temática do filme, amarela, além de mais três ou quatro tipos de letras para os nomes dos atores, ele deixa claro que contará uma história que só existe em sua mente insana.

A França de 1944 está ocupada pelas forças nazistas. O tenente Aldo Raine,vivido por um Brad Pitt que se diverte na atuação, reúne oito soldados judeus para criar um grupo americano de “caça” aos nazistas conhecidos como Bastardos. Assim como o tenente Raine caça nazistas, Hans Landa, por umChristoph Waltz simplesmente perfeito no tom, trejeitos e olhares, caça judeus. Em uma dessas caças, Hans conhece Shosanna Dreyfus, Mélanie Laurent, judia que o destino deixou que escapasse das mãos dos nazistas para ter uma segunda chance em Paris com um novo nome e herdeira de um cinema. Para que os planos dos Bastardos desse certo era necessário uma agente dupla, a atriz Bridget Von Hammersmark, interpretada por Diane Kruger. Essa é minha parte preferida do filme.

Em Bastardos Inglórios, além de homenagear filmes, diretores, atores e personagens, Quentin Tarantino homenageia o cinema e o poder que ele tem sobre o homem. As histórias que que produzem e são levadas às ´pessoas pelo cinema, sejam elas reais ou ficções, tornam-se a realidade por alguns minutos, goste o espectador dela ou não o cinema cumpriu seu papel. É responsabilidade dele digerir a mensagem e ficar com aquilo que lhe é melhor. Tarantino melhor do que ninguém (da jovem safra de diretores, que fique claro) entendeu esse papel da sala escura e grande tela, e faz uma homenagem com um final apoteótico não só ao cinema mas a  muitos que trabalharam pelo crescimento dela. Além disso, Bastardos lava a alma dos judeus e de todos aqueles que sofreram de alguma forma com os nazistas.

E eu preciso falar um pouco mais sobre a grande atuação de Christopher Waltz, que assim como Brad Pitt se entregou para o personagem e deixou que ele ganhasse vida em uma atuação quase simbiotica. Você deseja que o personagem viva mesmo sabendo que ele deve morrer, mas também deseja que ele morra. Um inimigo odiosamente delicioso de se odiar. Vai ser difícil dissociá-lo do papel de Hans Landa.

Quanto a Mélanie Laurent cabe aqui chamar a atenção à sequência em que se maquia ao som de Cat People (Putting Out Fire), David Bowie. É, em 1944 sendo que a música é de 1982. Mas lembrem-se que as trilhas sonoras dos filmes de Tarantino são sempre tratadas de modo especial. Tarantino queria que Ennio Morricone cuidasse da trilha sonora do filme, porém por problemas de agenda isso não foi possível, mas não empecilho para que Tarantino usasse músicas de filmes anteriores compostas pelo gênio musical.

Bastardos Inglórios é a obra prima de Quentin Tarantino.

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