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Posts Tagged ‘Joseph Gordon-Levitt’

“True inspiration is impossible to fake.” – Arthur

Christopher Nolan brinda o cinema com um roteiro cheio de camadas e paradoxos que é levado à risca na construção de cada set de sua filmagem. A Origem (Inception, 2010) É um filme existencialista, metalinguístico, metafísico, psicológico, psicanalítico e outras dezenas de leituras que são possíveis no roteiro bem construído de Nolan, onde caminhos são abertos e fechados. A idéia do filme é tão ampla (porém não inteiramente complexa) que Nolan leva quase todos os primeiros cinqüenta minutos do filme para explicar o que é a extração e inserção de idéias através dos sonhos. Eu vou tentar resumir no próximo parágrafo.

Só nos damos conta de que estamos sonhando quando acordamos e percebemos que lá havia algo de errado. Nos sonhos nosso superego está com as defesas baixas, sendo possível descobrir segredos que no mundo real não seriam revelados tão facilmente. No mundo dos negócios a espionagem chegou a esse campo. Cobb (Leonardo DiCaprio) é o Extrator desses segredos, um especialista no assunto. Seu companheiro nas viagens em sonhos compartilhados é Arthur (Joseph Gordon-Levitt) que é seu Contato e grande parceiro. Nesse último trabalho, Cobb tem a oportunidade de limpar seu passado, que é extremamente complicado e por diversas vezes acaba afetando negativamente seus negócios. Dessa vez, Cobb é contratado por Saito (Ken Watanabe) não para extrair segredos, mas sim para inserir uma idéia em Fischer Jr (Cillian Murphy), filho de um grande empresário. Inseri é muito mais complicado do que extrair. Complexo e arriscado pois deverá ser implantada através do sonho dentro do sonho do sonho. Traduzindo: deverão chegar ao mais profundo do ser, sem se perder ou deixar perceber que a idéia não é natural de si. Para tanto precisarão de um time altamente valoroso, composto por Arthur, seu Contato, Ariadne (Ellen Page), a Arquiteta, Eames (Tom Hardy), o Falsificador e Yusuf (Dileep Rao), o Químico e se eu ultrapassar esse ponto final com mais detalhes estragarei todo seu filme, portanto sem spoilers.

Alfred Hitchcock certa vez disse que “ator é gado” e eu estou convencido. Como tentei apresentar no parágrafo anterior, cada personagem personifica uma função. Tal como especialistas tentam desvendar os signos dos sonhos, Nolan faz com seus atores para personificar sua idéia. Essa é a função de qualquer diretor. Então o que há de especial? Não esconder essa construção. É como se o diretor estivesse expondo a construção de um filme, desde sua idéia, passando pelo convencimento dos investidores e estúdio de que a idéia é viável, atravessando a busca dos melhores atores baseando-se no passado de cada um para melhor se adaptar ao papel, sem deixar de mostrar os problemas da realização da idéia culminando na grande estréia, o final do filme. Ao mesmo tempo esta tradução pode ser totalmente jogada pelos ares e fazermos uma leitura mais humana. Um homem buscando redenção, Leonardo DiCaprio fazendo o homem-de-passado-complicado-buscando-se-reconciliar-consigo-mesmo. E que maravilha ter a tradução da culpa em Marion Cotillard, a esposa de Cobb, Mal, que traz mistério em cada olhar, mostrando amor, ódio, condescendência sendo que não está disposta a ceder de seus sentimentos, e novamente se eu ultrapassar esse ponto final trairei a confiança de vocês.

Assim como os irmãos Wachowski fizeram na década (e século) anterior com The Matrix, em 1999 com seus bullet-times, personagens voando e com um roteiro caminhando na tênue linha do real e irreal obrigou o cinema a subir um (ou alguns) degrau(s), tanto tecnológicos como em roteiro e execução, se tornando o filme que traduziu uma geração, A Origem tenta e (em minha insignificante opinião) consegue fazer o mesmo. A cena da luta onde não há gravidade é incrível! Não é como as cenas de Matrix onde o sujeito criava suas próprias regras, desafiando ou criando uma nova lei gravitacional. Nessa cena a gravidade existe porém está ausente naquele momento. Quem vence é aquele melhor concentrado e por que não aquele indivíduo com a mente aberta a novas experiências, melhor adaptado a mudanças drásticas de situações. Uma símile a Vida?

Um cheiro de Oscar no ar.

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Não é um filme de amor. É sobre o amor. Pode a razão aprender com a emoção? (500) Dias Com Ela ((500) Days of Summer, 2009) nos mostra que sim. Summer (Zooey Deschanel) é uma mulher linda e independente que não acredita no amor. Todos os seus relacionamentos tem começo, meio e fim estipulados por ela. Tom (Joseph Gordon-Levitt), um jovem adulto que acredita no amor, alma gêmea e destino, é formado em arquitetura mas trabalha em uma empresa de cartões de presente. Eles tem um relacionamento, que Summer desde o início deixa claro que não quer compromisso, mas Tom deseja consistência.

Com uma trilha sonora que só a bagagem de Marc Webb, diretor de vários vídeo clipes poderia proporcionar,  (500) Dias Com Ela faz um retrato dos relacionamentos pós adolescência dos anos 00’s e mostra como relacionamentos que não dão certo podem ser construtivos. Não há linearidade. É como se  Webb tivesse deixado rolar o shuffle do iPod enquanto ele brincava com o roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber.

Para alguns pode parecer que o filme é forçado por apelar para a trilha sonora indie ou por ser a história da garota linda que se apaixona pelo garoto bonito perdido na vida adulta que é aconselhado pela irmã mais nova e os amigos igualmente perdidos, a aceitar as coisas como são. Nós já vimos vários filmes assim. Mas há algo a mais nessa comédia romântica. Relacionamentos são difíceis, sejam eles casuais ou com a intenção de durar para sempre. Alguém sempre sai perdendo, essa é a verdade. E perder nem sempre é ruim. E sempre depois do Verão vem o Outono e o Inverno e a Primavera. É assim que a vida segue.

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